quarta-feira, 23 de abril de 2008

Singles: Nas e Achozen

Nos últimos dias, dois importantes singles vazaram na internet. O primeiro é do controverso álbum Nigger, do Nas, que vem gerando bastante polêmica nos EUA por causa do nome. A faixa se chama Be A Nigger Too, talvez uma resposta irônica do Nas a toda essa discussão, já que ele fala no refrão: "Eu sou um nigga, ele é um nigga, ela é uma nigga, você também não quer ser um nigga?". E ainda aproveita para arrematar: "Críticos, vão chupar um pau". Nesta faixa, Nas ainda mostra o flow impecável de sempre, sobre uma batida simples, mas efetiva. No geral, um bom single, embora não forte o suficiente para ser o carro-chefe de um álbum cercado de tantas expectativas.

Quem leu o título do post pode não estar conhecendo o nome Achozen. Este é o novo grupo do RZA, que é formado ainda pelo baixista Shavo, do System of a Down, e os emcees Beretta 9 e Reverend Burke. Ontem, a banda lançou o primeiro single do álbum, que, segundo os integrantes, "não será rap-metal, e sim hip hop pesado". O nome da faixa é Deuces, e conta com RZA cantando o refrão e um verso curto de Beretta. O instrumental é bom, lembra um pouco o bate-cabeça do começo do Wu-Tang, com o toque rock de Shavo, que não ficou muito exagerado. A única reclamação sobre a faixa está no fato de o refrão - embora muito bom - ser repetido muitas vezes, enquanto o rap mesmo tem pouco espaço. Ainda assim, é uma ótima música.















Nas -Be A Nigger Too
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Achozen - Deuces
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domingo, 20 de abril de 2008

9th Wonder & Buckshot: The Formula

Dois grandes nomes do rap atual dando seqüência ao trabalho iniciado com o álbum Chemistry. Dessa vez, o ex-produtor do Little Brother, 9th Wonder, e o cabeça do Black Moon e da gravadora Duck Down, Buckshot, se reúnem para trazer aos fãs The Formula.

Este disco novo confirma que a dupla realmente tem uma química muito boa e encontraram a fórmula certa para fazer boa música. 9th Wonder está absolutamente impecável no álbum, com o tradicional arsenal de samples vocais, caixas e bumbos pesados e um clima totalmente soul. Já Buckshot também mantém seu estilo, mas soa aqui muito mais interessado no projeto: seu flow continua preciso e a voz mais empolgada.

Ready(Brand New Day) é o maior destaque do álbum, com um vocal acelerado e um loop bem tranqüilo, dando o clima da faixa, além do tradicional boom bap na bateria. Os dois singles - Go All Out e Hold It Down, este com Talib Kweli - também merecem menção: o primeiro tem um grande sample de sax e um quê jazzy, enquanto o segundo, mesmo com um refrão fraco, tem dois grandes emcees rimando sobre um beat mais acelerado e complexo. Shinin Yall é um dos melhores beats do disco, com um sample de strings cortado de forma perfeita por 9th Wonder, e grande participação de Yarafat Yates e Big Chops, dois desconhecidos para mim. Por fim, Man Listen recorre a samples vocais e de soul para fechar com chave de ouro o trabalho.

O disco, entretanto, não está livre de erros. Alguns refrões não funcionaram e alguns temas não casaram bem com a proposta de "Hip Hop adulto" da dupla, como por exemplo a faixa Just Display, falando sobre mulheres que são apenas para serem exibidas. Apesar desses pequenos deslizes, The Formula é um grande álbum, graças sobretudo aos instrumentais de 9th Wonder, que parece ter voltado à boa forma, depois da decepção de Dream Merchant. Juntando isso à performance sólida de Buckshot, temos a fórmula ideal para o bom rap.

9th Wonder & Buckshot - The Formula
1. Intro / The Formula f. The Formula Crew
2. Ready (Brand New Day)
3. Be Cool f. Swan
4. Go All Out (No Doubt!!!) f. Carlitta Durand
5. No Future
6. Hold It Down f. Talib Kweli & Tyler Woods
7. Whassup With U?
8. One For You (Big Lou)
9. Just Display
10. Here We Go
11. Throwin' Shade
12. Shinin' Yall f. Arafat Yates & Big Chops (of M1 Platoon)
13. Man Listen (Cause Ummm) f. Carlitta Durand

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Vídeo da faixa Go All Out:


Vídeo da faixa Hold It Down:

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Artofficial: Fist Fights and Foot Races

Este grupo já foi apresentado aqui no blog. Na época, eu postei o EP deles e elogiei bastante, principalmente pela forma como mesclam o jazz ao rap, com uma banda, levando ao extremo a proposta de grupos como o The Roots. Pelo que parece, o EP fez grande sucesso, e garantiu à banda o lançamento de álbum completo.

Fist Fights and Foot Races contém as músicas do primeiro disco, e confirma nas novas faixas o estilo do grupo. Com uma bateria sensacional e o saxofone onipresente, a banda é impecável na parte instrumental, enquanto os emcees tratam desde temas mais políticos a conceitos mais pessoais. Os destaques continuam os mesmos do primeiro disco, com Clockwork e Eyes of a Stranger ainda predominando. Entre as faixas inéditas, nenhuma com o mesmo poder das duas já citadas, mas ainda assim de uma exuberância musical pouco vista atualmente.

O lançamento deste álbum surpreendeu um pouco, já que o EP havia sido lançado no final do ano passado. Logo, eu esperava um álbum mais para o fim do ano. Não é nem preciso dizer que foi uma surpresa muito agradável. Artofficial é um dos nomes mais promissores do cenário do Rap, com uma mistura perfeita da elegância do jazz com a poesia crua das ruas. Recomendadíssimo.

Artofficial - Fist Fights and Foot Races
1- K33
2- Big City, Bright Lights
3- Skunk Ape
4- Eyes Of A Stranger
5- Too Nasty
6- Gone
7- Clockwork
8- Bottle Of Hope
9- Remember The Days
10- Rewind
11- Word Bending
12- Architect
13- Sound Check On Saturn
14- Big City Bright Lights (Shin Ski Remix)

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Atmosphere: When Life Gives You Lemons, You Paint That Shit Gold

Álbum novo do Atmosphere, grupo norte-americano formando pelo produtor Ant e o emcee Slug. Os dois são bastante conceituados no underground, tendo lançado 5 álbuns e sempre recebendo elogios. Ant é também o produtor dos dois discos do Brother Ali, que também foram um grande sucesso de crítica. Já Slug é um emcee bastante elogiado, conhecido por suas rimas bastante introspectivas.

When Life Gives You... se diferencia imediatamente dos outros álbuns recém lançados pela incrível qualidade dos beats produzidos por Ant. Depois de grandes trabalhos, não só com o próprio Atmosphere, como também como Brother Ali, o produtor atinge um nível altíssimo nesse álbum novo. Aproveitando as costumeiras letras pessoais de Slug, ele solta beats igualmente introspectivos, que casam muito bem com o emcee. Faixas como Painting e Yesterday são um grande exemplo deste casamento. Mas não é só isso: Ant também aproveita para criar batidas mais eletrônicas/futuristas, como em The Skinny. Destaque ainda para as influências latinas em Me e Wild Wild Horses, na voz-violão Guarantees e na belíssima faixa de abertura Like The Rest Of Us.

Embora não seja possível uma avaliação sobre as letras de Slug, só a metade instrumental do álbum garante a qualidade. Não há uma só faixa com um beat "mais ou menos": todas são muito bem construídas. Com esse lançamento, o Atmosphere ratifica seu status no underground americano como um dos mais importantes grupos a fazer bom rap para os fãs.

Atmosphere - When Life Gives You Lemons, You Paint That Shit Gold
1. Like The Rest Of Us
2. Puppets
3. The Skinny
4. Dreamer
5. Shoulda Know
6. You
7. Painting
8. Your Glasshouse
9. Yesterday
10. Guarantees
11. Me
12. Wild Wild Horses
13. Can't Break
14. The Waitress
15. In Her Music Box

PS: Link consertado!

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terça-feira, 15 de abril de 2008

Wu-Tang Clan: The Heart Gently Weeps ( Vídeo)



Este é o segundo vídeo do álbum 8 Diagrams. Nele dá para perceber o grau de desunião e desorganização em que se encontra o grupo. Apenas dois integrantes aparecem no vídeo(Gza e Rza) - e nenhum dos dois canta na música. Isso sem contar a edição ruim e o conceito confuso do vídeo. É triste ver um grupo como o Wu nesta situação, mas isso é assunto para outro dia. Ainda me resta alguma esperança...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Kidz In The Hall: School Was My Hustle

Kidz In The Hall é um grupo formado pelo emcee Naledge e o produtor Double-O, considerado nos EUA como um dos grandes expoentes da nova escola do rap. Os caras foram apadrinhados pelo produtor Just Blaze, que resolveu ajudá-los como produtor executivo do álbum de estréia dos caras - School Was My Hustle - que recebeu quase que elogios unânimes.

De fato, o álbum rapidamente mostra que é diferente do que é atualmente produzido pelas novas caras do hip hop. Os beats feitos por Double-O têm um pé no jazz-rap, mas soam como se fosse uma atualização deste estilo, do que propriamente uma homenagem. O clima, entretanto, é o mesmo: músicas relax, calmas e bem construídas, com destaque para faixas como Wheelz Fall Of(que usa o mesmo sample da clássica 93 'Til Infinity, do Souls of Mischief), Dumbass Tales e Hypocrite , sendo a última destaque absoluto do álbum - totalmente jazzística, com samples cortados à la DJ Premier. O contraponto no clima relax fica por conta da faixa de abertura, Ritalin, uma explosão de energia, tanto no instrumental quanto nas rimas de Naledge, talvez para mostrar que os moleques não estavam ali de brincadeira.

Porém, nem só de instrumentais vive um bom álbum de rap. O que realmente levou o grupo a outro patamar de aclamação foi a sólida performance de Naledge. Ele tem tudo o que um bom emcee precisa: carisma, voz marcante, bom flow, letras bem escritas e bons conceitos. Neste álbum, em especial, Naledge rima sob a perspectiva de um estudante americano, o que não o impede de criar boas mensagens: Go Ill e Wheelz Fall Of são músicas introspectivas, quase autobiográficas; Dumbass Tales toca no problema da criminalidade infantil, em forma de storytelling; Don't Stop e Move On Up são mais políticas, com um discurso ácido; por fim, Hypocrite trata, como o nome diz, da hipocrisia, principalmente em relacionamentos.

Sem nenhum exagero, School Was My Hustle é um dos melhores álbuns lançados ultimamente, por uma dupla extremamente afiada e talentosa. Naledge tem letras muito boas e grande facilidade para tratar de vários assuntos(eu gostaria de citar vários exemplos, mas o texto ficaria grande demais). Double-O sabe mesclar bem suas influências, e cria instrumentais que se encaixam perfeitamente nas rimas de seu parceiro. Tanto talento não passou despercebido, e o grupo já foi contratado pela gravadora Duck Down - a mesma do Boot Camp Clik - onde planeja lançar seu novo álbum no próximo mês. Será o teste de fogo para eles: será que conseguirão manter o nível de excelência?

Kidz In The Hall - School Was My Hustle
1. Hustler's Intro
2. Ritalin
3. Wassup Jo'
4. Wheelz Fall Off ('06 Til)
5. Ms. Juanita
6. Cruise Control
7. Go Ill
8. Dumbass Tales
9. Don't Stop
10. Move on Up
11. Hypocrite
12. Day By Day

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Vídeo da faixa Wheel Fall Off('o6 Til):

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Flobots: Fight With Tools

Flobots é uma banda de rap de Denver, bastante elogiada na região por sua mistura de rap, rock e letras políticas, sendo comparada às vezes à Rage Against the Machine. O grupo é formado pelos emcees Johnny 5 e Brer Rabbit, a violinista Mackenzie Roberts, o guitarrista Andy Guerrero, o baixista Jesse Walker, o trompetista Joe Ferrone e o baterista Kenny Ortiz. Como dá para perceber pela formação, o som do grupo é bem complexo e difícil de ser definido, embora eles mesmos se considerem uma banda de rap, porque, segundo os próprios, "o Hip Hop é um gênero capaz de agregar os bons elementos de todos os outros gêneros, e é isso o que a nossa banda procura fazer".

Fight With Tools é o primeiro álbum da banda e, embora não tenha sido "descoberto" pela maioria dos fãs de rap, ganhou muitos elogios daqueles que ouviram. Com uma grande influência do rock(às vezes até exagerada), o grupo tem como grande diferencial, sem dúvida, o violino sempre pontual. Não à toa, as melhores faixas do disco são justamente aquelas que a violinista Roberts mais aparece, como por exemplo Stand Up, Mayday e Rise. Porém, isso não é regra, e Handlebars é uma faixa mais pontuada pelo trompete de Ferrone, e é talvez o destaque maior do álbum.

As letras do grupo também são um grande atrativo. Combinando metáforas, ironias e versos políticos, os emcees conseguem manter a atenção do ouvinte, mesmo com os belos instrumentais os apoiando. Em Handlebars, eles comparam os poderosos dos EUA a crianças se gabando umas com as outras, como nesta parte:

"Eu ando de bicicleta sem segurar no guidom
Eu posso guiar um míssil por satélite
Eu posso acertar um alvo com um telescópio
Eu posso acabar com o planeta em um holocausto"

ou então:

"Eu posso fazer qualquer um ir pra prisão
só pelo fato de eu não gostar da pessoa
eu posso fazer qualquer coisa, mesmo sem permissão
eu tenho tudo sob o meu comando"

Em Rise, o discurso político fica ainda mais evidente e direto. É uma letra dirigida ao povo, e os emcees avisam ao ouvinte que "juntos, nós crescemos". Não é à toa que a banda já abriu shows para grupos como o lendário Public Enemy.

Enfim, Flobots é mais uma banda seguindo os passos do The Roots: rap com banda. Mais importante ainda, fazendo um som muito bom, apesar dos excessos da guitarra, o que desvirtua um pouco o som do grupo(talvez seja cisma minha, que não curto rock). Porém, as rimas inteligentes dos emcees e o violino de Mackenzie Roberts vão garantir bons sons para qualquer fã de rap.

Flobots - Fight With Tools
1. There's a War Going On For Your Mind
2. Mayday!!!
3. Same Thing
4. Stand Up
5. Fight With Tools
6. Handlebars
7. Never Had It
8. Combat
9. The Rhythm Method
10. Anne Braden
11. We Are Winning
12. Rise

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Vídeo da faixa Handlebars: