quarta-feira, 16 de setembro de 2009

KRS-One & Buckshot: Survival Skills

Ano: 2009
Gravadora: Duckdown
Produtores: Illmind (faixas 1, 4 e 13), Havoc (2), Black Milk(3 e 7), Marco Polo(5), Moss (6), DJ Mentplus (8), Nottz (9), Khrysis (10 e 11), Coptic (12), 9th Wonder (14).
Participações: DJ Revolution (1), Mary J Blige (3), Rock (4), Talib Kweli (5), Smiff N Wessun (6), Immortal Technique (7), K'Naan (8), Pharoahe Monch (9), Sean Price (10), Loudmouf Choir (10), Bounty Killer (12), Slug (13), Melanie Fiona (14), Naledge (14).

KRS: Bem vindos, amigos. Vamos iniciar agora o nosso curso de sobrevivência no Hip Hop, intitulado "Survival Skills". Eu e meu amigo Buckshot estaremos nesta bancada para falar sobre a nossa visão de como ser longevo no gênero.
Buckshot: Isso mesmo. Vamos falar um pouco da história do rap, vamos discutir a conjuntura atual e analisar alguns pontos que acreditamos ser chave para que se possa ser relevante na cultura, sem precisar se vender para indústria.
KRS: Ao longo desta palestra, nós também vamos chamar alguns convidados aqui, para dar seus depoimentos sobre o tema. Também teremos alguns maestros para dar uma trilha sonora ao curso, a fim de manter um clima informal. Entre eles, estão alguns velhos conhecidos de vocês, como Illmind, Black Milk, Havoc e 9th Wonder.
Buckshot: Bem, vamos começar. Escolhemos o nome de "Survival Skills" porque acreditamos que precisamos de algumas habilidades para continuarmos escalando a montanha e chegarmos ao topo do rap.
KRS: E, modéstia à parte, nada melhor do que dois veteranos como nós para falar sobre isso. A nossa proposta é manter-se fiel às origens. O básico do rap são as rimas e os beats, sem conversa fiada, sem frescura. Acima de tudo, o Hip Hop é uma forma de nos expressarmos, de darmos voz àqueles impedidos de fazer isso.
Lil'Wayne: Professor, mas também precisamos ganhar dinheiro, não acha?
KRS: Sim. E eu continuo faminto quando o assunto é ganhar dinheiro. Mas isso não significa que tenhamos que mudar por causa disso. Tampouco diminuir nossa arte. E isso nos leva a um dos nossos módulos, "The Way I Live".
Buckshot: Exato, nós queremos mostrar respeito a todos aqueles que estão na luta. Porque nós também estamos. Aliás, todos aqui nesta sala continuam na luta.
Elzhi, para Phat Kat: Cara, o Black Milk tá quebrando tudo, hein? Que batida é essa!
Phat Kat: Porradão! Eu soube que era ele por trás da MPC no primeiro bumbo, esses metais são demais!
KRS: Outro módulo que queremos discutir chama-se "Clean Up Crew". Nós precisamos, antes de mais nada, fazer uma limpeza nesta cultura. Muitos que dizem representar o rap, na verdade estão apenas querendo fazer lucro, sem se importar com a arte.
Shawty Lo: (pensando) Merda, vai sobrar pra mim daqui a pouco...
Buckshot: Eu queria chamar meu amigo Rock para falar um pouco sobre este conceito de limpeza.
Rock: A cena está uma bagunça. Precisamos limpá-la, lavá-la. E, acima de tudo, mantermos nós mesmos limpos, se é que me entendem.
MV Bill: Ih, alá. É o mesmo sample de "Só Deus Pode Me Julgar"!
Gucci Mane: Eu acho que vocês estão tendo uma visão muito superficial disso tudo. Estão se deixando influenciar pela mídia!
Tony Yayo: É verdade. Eu tenho um amigo que faz rap por grana, e o melhor amigo dele também faz rap com este pensamento...
KRS: Mas se você é um verdadeiro artista, sabe que o que importa não é simplesmente vender sua arte. Este é o módulo "One Shot". Pharoahe Monch, fale um pouco sobre isso.
Pharoahe Monch: Eu percebi que é melhor você ter uma meta. Veja os estilos, escolha um: rap político, "consciente", crunk...
Buckshot: O que queremos dizer é: você precisa dar valor à sua arte. Não importa o estilo que você quer seguir, você precisa acreditar naquilo. A mudança também não é condenável. Acredito que estamos constantemente mudando, e isso reflete na nossa música.
Puff Daddy (entrando esbaforido na sala): Desculpe-me professor. Peguei um trânsito inacreditável até aqui.
KRS: A aula está acontecendo, vocês estão atrasados, merda. Estamos numa parada incrível aqui. Aliás, o Buck está certo. Mas também acho que precisamos dar valor à velha escola, e não desprezá-la. E vice-versa. Eu mesmo, sou old school, mas não me impressiono com o que é feito hoje. Vocês devem mudar suas abordagens antes que seja tarde.
Sean Price: Isso é "Amazin"!
Blu: Professor, eu acho que você está radicalizando. Existe muita coisa boa sendo feita atualmente. Não podemos generalizar a nova geração assim. Mas concordo que o mainstream esteja num nível aquém do esperado.
Buckshot: E cabe a nós fazer com que chegue ao mainstream o rap de qualidade.
Lil' alguma coisa para Big outra coisa: Caramba, a voz do KRS soa como se tivesse vindo direto do céu para nos guiar. Parece um trovão.
Big outra coisa para Lil' alguma coisa: Também acho, é como o Rakim. Em compensação, o Buck parece estar tão calmo e confortável falando pra gente...
Buckshot: Falando no mainstream, gostaríamos de falar um pouco sobre os modismos que afetam o gênero. O último foi o autotune...
Kanye West: Qual é o problema? Acho que o prêmio deveria ter sido dado à Beyonce!
KRS: Como o Buck estava falando, isso é prejudicial. O autotune nada mais é do que uma materialização deste fenômeno pausterizador que aflige os rappers. Hoje em dia, parecem robôs, não há originalidade.
Buckshot: Hoje em dia, todo mundo quer cantar, todo mundo quer rimar...
KRS: Isso não é desrespeito a nenhuma arte, mas já fizemos isso. Muita coisa que vocês fazem achando estar revolucionando já foi feita há 20 anos.
GZA: Morte ao autotune! (todos apoiam)
Jay-Z: (pensando) Opa, esta é uma boa ideia! Acho que vou fazer uma música sobre isso...
Buckshot: Bom, vamos falar um pouco sobre política também. Isso é algo que influencia nosso gênero. Queria passar a palavra ao Immortal Technique para falar sobre o módulo "Runnin Away".
Immortal Technique: Precisamos estar atentos ao governo. Não adianta colocar um Pinóquio negro para nos liderar, se por trás tem um Gepeto branco da Wall Street. Foda-se o mundo comercial, eu prefiro ser verdadeiro. E estou aqui para celebrar o renascimento de uma era.
Elzhi: (pensando) E o Black Milk arrasou de novo...
Buckshot: Outra coisa importante é a nossa postura perante nossas famílias. Em "Think of Things" falamos disso. Não adianta você estar na boate badalando, enquanto seu filho tá em casa te procurando, né? Não adianta você esbanjar dinheiro e suas crianças terem roupas rasgadas.
KRS: Também precisamos orientar nossas filhas. Falar para elas: existem um monte de garotos, mas só um homem real para você.
Soulja Boy: Então, nossa missão é falar para as ruas?
Buckshot: Sim, com certeza. Precisamos passar nossa mensagem para eles. Este é o tema do módulo "Hear No Evil".
The Game: Vocês falam tanto em passar mensagem, mas o próprio Buckshot surgiu na cena falando sobre armas, violência nas ruas etc.
KRS: Infelizmente, a única linguagem que as pessoas entendem é mais armas nas ruas.
Buckshot: Este é o problema. Mas, para finalizarmos o curso, gostaríamos de reconhecer uma coisa entre nós. Nós já conseguimos muitas coisas, gente.
KRS: É verdade, só de estarmos aqui hoje já é uma vitória. Todos nós passamos por dificuldades, mas sobrevivemos. Desde os milhões de células de espermatozóides até o dinheiro no bolso de vocês, tudo foi conquista de vocês. Somos vitoriosos, mesmo contra tudo e todos. Mesmo contra a vontade de muitos. Por isso, independente do que aprenderam aqui, quero que vocês gritem de uma só vez: "We Made It!"
Todos: "We Made It!"

KRS-One & Buckshot - Survival Skills
01. Survival Skills
02. Robot
03. The Way I Live
04. Clean Up Crew
05. Oh Really
06. Connection
07. Runnin Away
08. Think Of The Things
09. One Shot
10. Amazin
11. Hear No Evil
12. Murder 1
13. We Made It
14. Past Present Future

Vídeo da faixa "Robot":

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Comunicados

Bom, como vocês podem perceber, agora o Boom Bap tem uma arte, um logo, enfim, uma identidade visual. O trabalho foi criado pelo Noise D, conhecido de vocês pela atuação dele no Bocada Forte / Central Hip Hop há alguns bons anos. Pois bem, o cara, além de escrever colunas, editar o conteúdo do site e eventualmente fazer matérias, também trabalha com trabalhos publicitários e tal, e provou o talento dele criando o logo do blog. Quem quiser saber mais sobre este lado profissional do Noise, pode acessar o portfólio dele aqui e aqui.

O segundo comunicado diz respeito à falta de links para download no blog. Esta é uma decisão que eu venho amadurecendo já há um bom tempo, devido à marcação cerrada que o blogspot está fazendo com quem posta conteúdo ilegal. Eles simplesmente deletam todo o post, sem qualquer aviso prévio. Já chegaram até a deletar posts do blog que continham apenas alguma tradução e o download de uma faixa. E este é um problema que não aflige só o Boom Bap, e sim uma infinidade de blogs.

Por isso, acho melhor evitar colocar links que digam respeito a artistas mais reconhecidos - se tivesse colocado o Blueprint 3 para download, o post não duraria 24h. Quando a postagem for a respeito de alguém que não esteja no radar da indústria musical, é provável que o link esteja disponível. De qualquer forma, peço que vocês mesmos compartilhem links dentro da seção de comentários, já que acredito que esta possa ser uma boa maneira de burlar este Big Brother Blog.

Além disso, talvez eu esteja enganado, mas grande parte dos visitantes do Boom Bap vem até aqui em busca dos textos, e não do link para download. E o objetivo deste blog não é simplesmente despejar quilos de mp3 ou ter exclusividade, até porque é impossível um site brasileiro dar em primeira mão um álbum muito aguardado. Todo disco postado no blog saiu primeiro em algum site gringo, isso é inegável. Além do mais, existem outros blogs brasileiros que se dedicam de forma muito mais qualificada neste trabalho de disponibilizar links: o Só Pedrada Musical, o Soumzaun e o Under Spot são dois dos principais - este último tem até uploads próprios.

Esta mudança também diz respeito a uma ideia que tenho de procurar trazer mais credibilidade para o blog, uma aproximação maior com artistas e, consequentemente, mais informação. Isso faz parte também da ideia de pagar um domínio .com para o Boom Bap, de mudar o layout, de confeccionar uma camisa do blog etc. Vamos ver se eu consigo completar estes objetivos - para isso vou precisar também de vocês, não me larguem!

Só para deixar mais claro, todo e qualquer disco postado aqui no blog foi baixado da internet - exceção para os discos nacionais. Portanto, se estiver no Boom Bap, é porque está disponível para download na rede. Além do Só Pedrada Musical, do Soumzaun e do Under Spot, o Hip Hop Bootleggers é bastante recomendado, geralmente é onde um trabalho novo vaza primeiro.

Bom, é isso. Espero que vocês entendam as escolhas do blog. Caso haja um clamor realmente forte pela volta dos links, a gente tenta entrar em um (improvável) acordo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Q-Tip: Kamaal The Abstract

Ano: 2009
Gravadora: Battery Records
Produtor: Q-Tip (todas as faixas).
Participações: Gary Thomas (faixa 2), Kurt Rosenwinkel (2), Kenny Garrett (7).

Gravado há quase uma década atrás, "Kamaal The Abstract" é mais um integrante do clube de álbuns que foram para a gaveta e ainda assim exercem uma certa mística em fãs sedentos por boa música. Idealizado por Q-Tip logo após sua estreia solo, "Amplified", o disco tinha o nome original de "Abstractions", mas não viu a luz do dia porque foi considerado pela então gravadora de Tip, Arista, de pouco apelo comercial. Foi necessário o sucesso de "The Renaissance", outro projeto com endereço nos armários de selos multinacionais, para que o originalmente segundo trabalho solo do líder de A Tribe Called Quest chegasse oficialmente às ruas.

Por um lado, a Arista tinha razão em não achar muito apelo comercial no disco. Por outro prisma, porém, é notório que capacidade de vender não significa boa música - e o sem-número de artistas da cena alternativa é um bom indicativo disso. "Kamaal The Abstract" é exatamente o que o título sugere: uma abstração de Q-Tip, que mostra mais uma vez sua intimidade com a produção. Depois de inovar com o jazz-rap do ATCQ, ele criou um álbum esparso, que flui quase que imperceptivelmente, apostando bastante na instrumentação - toda conduzida pelo próprio cara, só para registrar.

A direção que Tip dá ao álbum mostra duas outras facetas daquele conhecido originalmente como rapper. A primeira, de instrumentista, certamente pega muitos fãs de surpresa e mostra que Kamaal tem uma relevância na cena muito maior do que parece. O outro lado é o de cantor, o que digamos que não seja exatamente o ponto forte de Tip, mas que acaba servindo perfeitamente ao propósito do disco. Estes dois ingredientes alcançam o mesmo nível de proeminência das rimas, apenas eventuais neste disco.

O resultado de toda essa abordagem são faixas cheias de suíngue, com longos solos instrumentais e uma levada jazzy bastante influente na construção das batidas. A extensa "Do U Dig U?" é talvez o melhor exemplo, com participação dos instrumentistas Gary Thomas e Kurt Rosenwinkel provendo o background para a cantoria arrastada de Tip. As coisas ficam mais agitadas e dançantes em "Barely in Love", possivelmente a melhor performance vocal do disco, com percussões latinas dando o ritmo da faixa, que ainda conta com um solo de guitarra. "Abstractisms" é a parte mais rap do trabalho, com Tip cuspindo dois versos sobre o sax de Kenny Garrett.

Com tanta atenção à musicalidade, as letras acabam não sendo o carro-chefe do álbum. Ainda assim, Kamaal tem tempo para contar as agruras de uma jovem mãe para sobreviver e dar um bom futuro para a filha: "Ela trabalha no Mc Donald's das 9h às 17h, no Wall Mart das 18h às 22h / economizando o que pode para a escola, sua garota está indo bem". A temática, inclusive, parece ligeiramente voltada para o sexo feminino, algo recorrente em Q-Tip desde os tempos de Bonita Applebum. "Barely in Love", por exemplo, é um conto ao estilo Bonnie & Clyde.

No fim das contas, "Kamaal The Abstract" é um álbum que nem deve ser classificado no gênero rap. Soa mais como uma espécie de hip hop progressivo, uma confluência entre o ritmo e a poesia das ruas com a elegância do jazz, numa nova classificação. A ousadia de Tip em misturar tantas referências de uma forma não clichê acaba enriquecendo bastante o resultado, e deixando um legado a ser explorado para os novos arquitetos da música negra. Talvez este disco seja apenas um primeiro passo, um teste de laboratório para algo ainda maior sendo preparado nos confins dos guetos americanos. Mais uma cortesia de Jonathan Davis a.k.a. Kamaal.

Q-Tip - Kamaal The Abstract
1. Feelin'
2. Do U Dig U?
3. A Million Times
4. Blue Girl
5. Barely in Love
6. Heels
7. Abstractionisms
8. Caring
9. Even If It Is So
10. Make it Work [bonus track]

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pizzol: 16 anos

Ano: 2009
Gravadora: 360 Graus Records
Produtor: DJ Caíque (todas as faixas)
Participações: Doncesão (faixas 2, 12 e 13), Dr. Caligari (9), Roko (9), Nocivo Shomon (9), Ogi (9), Jeffe(12 e 13), DJ Caíque (12).

O que você fazia aos 16 anos? Bom, eu estava no segundo ano do ensino médio, vivia matando aula, jogava basquete, dormia a tarde inteira, já sabia que queria estudar jornalismo e já tinha começado a conhecer um pouco o mundo do rap. Já o paulista Pizzol, nesta mesma idade, foi além: ele gravou um disco inteiro. Com a ajuda dos parceiros da 360 Graus Records - o álbum é todo produzido por DJ Caíque e tem participações de nomes como Don Cesão, Ogi, Jeffe e Nocivo Shomon - "16 anos" chegou às ruas no último sábado e mostrou que o rap pode ficar tranquilo quanto às próximas gerações: há vida inteligente, não só entre os jovens apreciadores de rap, mas também entre os adolescentes.

Apadrinhado por Doncesão e apresentado posteriormente a Caíque, Pizzol impressionou a todos por uma levada incomum entre emcees de qualquer idade, ainda mais de alguém com então 15 anos. Esta mesma surpresa toma o ouvinte de assalto logo na primeira faixa do álbum. O flow rápido e rasteiro revela um jovem que parece viver um sonho e não quer acordar nem desperdiçar a chance: a impressão é que Pizzol fechou os olhos, colocou o fone e cuspiu da melhor forma possível as letras já decoradas na cabeça. Essa urgência na cadência pega qualquer desavisado que esteja escutando o disco pelo pescoço.

E a atenção adquirida à força não se perde mais quando passa-se a prestar atenção nas rimas de Pizzol. O moleque pode ter 16 anos, mas mostra uma maturidade interessante, tratando de temas relevantes e contando histórias como se fosse um ancião. Em vez das previsíveis - e compreensíveis - odes a garotas e festas, estórias de redenção em "O destino", na qual ele conta a história de um viciado humilhado pelas pessoas; crônicas da cidade cinza na ótima "O Viajante", cujo protagonista é um homem fugindo da guerra diária, apresentado por Pizzol e interpretado por Dr. Caligari, além de participação espetacular de Ogi; e até divagações, como em "Decreto soberano", uma carta otimista e ao mesmo tempo contundente para as pessoas, ou "Paraíso incomum", a ideia pessoal do menino sobre o paraíso.

Conforme cada faixa passa, é notável que Pizzol não é um típico adolescente. Com uma percepção privilegiada da sociedade, ele consegue passar pelos vários temas que propõe sem soar infantil e, mais importante, forçado. Num rap nacional ainda preso às amarras do protesto social, não seria difícil imaginar um clone infantil dos Racionais. Felizmente, Pizzol consegue equilibrar-se no meio da balança. Não trata de assuntos que não domina, nem rende-se totalmente aos desejos juvenis. Enquanto seus contemporâneos se preocupam com roupas e baladas, ele "Vive a Voar":

"Eu vou vivendo sonhando, voando alto no sonho,
amor que não tem tamanho, minha razão de viver
Preciosidade, conforto, estabeleço, reconheço o errado e nos acertos esclareço
sigo sempre intenso, as trevas hoje esqueço, um dia prevaleço, retiro o falso peso
enaltecendo sempre essa nossa pura essência, muitos se cansaram, era apenas displicência
mas agora sinto, é a pura realeza, que sempre eleva, nos enchendo de proeza
como um sonho interminável, rumo à esperança, alcançar o inalcançável
eu sigo competente, nesse plano inacabado, onde a minha gente só provou o que é provado
mas sou afortunado, divina fortuna, a mesma que situa é intensa como a rua
que sempre me cura, não sinto mais ternura, voo ao encanto, busco a maior altura"

Atrás das cortinas, possibilitando que Pizzol exponha seu talento, DJ Caíque também merece ser lembrado. Ciente da capacidade do moleque, o produtor recorre a beats mais minimalistas, dando espaço suficiente para os versos do emcee. De qualquer forma, a característica de misturar diferentes referências musicais na confeccção dos instrumentais continua intacta. Desde a levada roqueira de "Satisfação" - e é bom destacar também o verso espetacular de Doncesão, usando e abusando da assonância - até o dub viajante de "Capitão Dan na Galacta Vialaxia", Caíque consegue lidar com estas várias influências sem perder a consistência. A química com as letras de Pizzol também é evidente: a sombria "O viajante" ganha strings dramáticas e vocais soturnos; a sonhadora "Paraíso incomum" traz toques de violão, samples atmosféricos e um loop marcante; a bem humorada "Vivo a voar" mostra suíngue e uma melodia que casa perfeitamente com o ótimo refrão de Jeffe.

Quando a faixa homônima fecha "16 anos" contando a vida e as motivações de Pizzol, já fica claro que o moleque nem precisava se "justificar". Só a força das rimas das, adivinhe, 16 faixas do álbum é capaz de convencer qualquer um que o jovem emcee tem um grande caminho pela frente. Obviamente, ainda há espaço para evolução, mas esta é justamente a boa nova do trabalho: se conseguir manter a motivação e o foco, Pizzol tem todas as condições de nos presentear com boa música até, sei lá, seus 50 anos.

Pizzol - 16 anos
01. Intro
02. Satisfação
03. Para quem não se conformou
04. Decreto soberano (Acima da lei)
05. Seu resgate
06. Lá fora
07. Paraíso incomum
08. O destino
09. O viajante
10. Comigo mesmo
11. Alerta
12. Capitão Dan na Galacta Vialaxia
13. Vivo a voar
14. Canto da esperança
15. Aqui não vou ficar (a luz)
16. 16 anos

Contatos para adquirir o álbum:
lucaspizzol16@gmail.com ou lucas_bizon@hotmail.com

Lojas onde comprar:
Sigilo Skate Shop, Boom Bap Shop, Charm's Discos, Porte Ilegal - todas na Galeria 24 de maio

Vídeo da faixa "Paraíso incomum":

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bgame: Concurso de Remixes

Ótima iniciativa do Bgame, confira:

Depois de ter lançado seu primeiro disco, intitulado ‘Antes do Solo’, no início do ano, Bgame, junto com a Produtora Laranja Bronx, a radio 457 FM de POA e os blogs Boom Bap,Radar Urbano e DOC Recordz, promove o concurso de remixes do seu single ‘Bem Vindo a Barra Mansa’. Como vai funcionar? É fácil, o beatmaker participante envia seu beat, que vai concorrer a um premio: um layout de myspace personalizado feito pelo designer Thiago, da produtora Laranja Bronx, um kit da Laranja Bronx e Bgame, com uma camisa da linha de roupas da produtora, e um CD ‘Antes do Solo’. Finalizando, o remix ganhador entrará como faixa bônus do próximo disco do emcee. Os jurados vão ser o produtor e emcee curitibano Cabes, a paulista Playmobeats, o próprio Bgame e o emcee de Volta Redonda Mart de Vr.

Regras:

1- O remix deve ser feito com um beat inédito, o que se entende por inédito? O beat que não saiu ainda gravado por alguém ou em nenhuma coletânea;

2- O Campeonato vai ter 3 fases, a primeira vai ser uma triagem feita pelos 4 jurados, da onde sairão 5 finalistas, que serão votados no blog da DOC, para em seguida passarem para a grande final que só terá 3 concorrentes, o campeão será escolhido pelo júri;.


As inscrições estão abertas a partir de hoje, dia 07/09/09. Envie seu remix para o email brunobgame@hotmail.com até o dia 27/09/09, após a etapa de triagem os 5 semi-finalistas serão votados no blog da DOC no dia 28/09/09. Os três finalistas serão conhecidos no dia 30/09/09, e o grande campeão, no dia 01/10/09.

Ta esperando o quê? Vai perder essa oportunidade? Let’s diggin!

Baixe a acappela da faixa aqui

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Raekwon: Only Built 4 Cuban Linx...Pt II

Ano: 2009
Gravadora: EMI / Icewater Records
Produtores: BT (faixas 1 e 9), J Dilla (2, 14 e 16), Pete Rock (3), Marley Marl (4), ATL (5), RZA (6 e 8), Necro (7), The Alchemist (11), Scram Jones (12 e 22), Icewater (13, 15 e 17), Dr. Dre (18 e 20), Allah Justice (19), Allah Mathematics (21).
Participações: Popa Wu (faixa 1), Inspectah Deck (2, 6, 21 e 22), Ghostface Killah (2, 5, 7, 8, 9, 16 e 21), Method Man (2 e 8), GZA (2 e 19), Suga Bang Bang (5 e 21), RZA (6), Tash Mahogany (6), Jadakiss (12), Styles P (12), Beanie Sigel (15), Blue Raspberry (15), Cappadonna (16), Lyfe Jennings (18), Slick Rick (19), Masta Killa (19 e 21), Busta Rhymes (20).

Depois de cinco anos, brigas internas, adiamentos, questionamentos, desistências, reformulações e todo o tipo de obstáculo possível, eis que o tão aguardado "Only Built 4 Cuban Linx...Pt II" chega aos ouvidos do mundo. Sequência do clássico de mesmo nome lançado nos tempos áureos do Wu-Tang, o disco é concebido já com a monstruosa responsabilidade de fazer jus ao nome e a toda ansiedade que gerou nos fãs de rap. De 1995 até 2009, milhares de coisas mudaram, principalmente neste tão controverso e dinâmico gênero. Como essa mudança influenciou Raekwon e seus parceiros durante a gravação do álbum?

Infelizmente, não é exagero dizer que o Wu não mantém sua tradição de grandes álbuns há uns dez anos. Os desentendimentos acerca de "8 Diagrams" deterioraram ainda mais a imagem do grupo perante os fãs. O próprio Raekwon já parecia desacreditado depois de tantas promessas sobre OB4CL2, que já havia caído no limbo daqueles discos místicos prometidos há séculos, junto com "Detox", por exemplo. E, neste cenário tão pessimista, tão desencorajador, eis que Rae faz algo maior do que talvez ele mesmo imaginava: além de ressurgir com um trabalho excelente, recoloca o Wu numa rota razoável e prova que, sim, é possível manter-se fiel a seus fãs e não soar datado.

Conceitualmente, existem algumas diferenças entre a obra prima original e este sucessor. Em 96, Rae era um cara faminto, ávido por mostrar seu valor como artista solo e na metade do caminho rumo a três décadas de vida. Como consequência, seu flow é agressivo, urgente, como se não quisesse perder tempo. Além disso, ele estruturou todo o álbum com base numa espécie de roteiro, no qual ele era o protagonista. Pois alguns fatores mudaram na versão 2009: Rae sonha mais cerebral, mais contemplativo; frequentemente, muda o foco da sua câmera lírica para os personagens da sua quebrada. Afinal, agora ele é um emcee consagrado, com 39 anos - não faria sentido ainda ser o mafioso das suas letras.

Mas se há alguma coisa que ainda continua intacta, é a capacidade de Rae contar boas histórias, de preferência relacionada ao submundo do crime e das drogas. Encare as letras do membro mais obeso do Wu como um bom filme policial, e sério candidato ao Oscar de melhor roteiro. Em alguns momentos, as rimas são tão visuais que é facílimo imaginar a cena. E não é só o conteúdo que é impecável. A forma como Rae estrutura seus versos é elogiável: esqueça o básico modus operandi de rimar as últimas palavras de cada verso; nas histórias construídas apenas para os Cuban Linx, as rimas são internas, surgem três linhas depois, dialogam entre si numa só linha etc. E este tipo de quebra com o padrão, esta forma "móvel" de escrita casa perfeitamente com o storytelling exposto em cada faixa.

Claro, a temática pode soar unidimensional, e de fato é. Porém, entre tantas histórias de crime, sangue e assassinatos, há espaço para entendermos um pouco quem é de fato Shallah Raekwon. "Ason Jones" é uma homenagem emocionante para o falecido Ol' Dirty Bastard, uma descrição detalhada de ODB sob a ótica de Rae, quase de uma forma reverente e mostrando, nas entrelinhas, as principais lições de Ason: "manter-se real", algo que seu parceiro mais novo aprendeu perfeitamente. Nota-se também que, se há 14 anos atrás, a postura era de um jovem criminoso pronto para tomar seu bairro de assalto, agora a atitude é outra: a reflexão perante as condições do gueto, a preocupação em alertar os mais jovens, algo que fica visível em faixas como "Cold Outside" e "Have Mercy". Indo mais fundo, Rae mostra, talvez inconscientemente, como nada mudou em todos esses anos, apenas os atores.

E se liricamente o trabalho atinge o objetivo de ser uma sequência, musicalmente a tarefa não foi tão fácil. Para começar, a divisão de tarefas: sai o monopólio de RZA e entram J-Dilla, Pete Rock, Dr. Dre e outros beatmakers menos conhecidos. Entretanto, a proposta continua sendo o batidão turvo que consagrou o Wu. Com um número relativamente alto de faixas e produtores, fica meio óbvio que aquela coesão de trilha sonora cinematográfica do OB4CL original não seria reeditada. Saem as strings sinistras e pianos atmosféricos, e entra uma plétora de estilos e samples. Mas não se preocupe, as pancadas continuam lá, só não dialogam tanto umas com as outras.

A linha de baixo militar de "House of Flying Daggers" abre o disco dando uma prévia do clima, que tem seguimento em "Gihad", "New Wu" e "10 Bricks", e encontra seu ápice na minimalista "We Will Rob You", com direito a Slick Rick parodiando a clássica "We Will Rock You", do Queens, e nos violinos triunfantes de "Kiss The Ring". Existem momentos mais reflexivos, como a ótima "Pyrex Vision", com um sample sensacional, e "Ason Jones", uma criação de Dilla que mais remete às faixas soul típicas de Ghostface Killah, com um sample vocal vindo de algum disco soul obscuro e orquestra da mesma origem.

São tantas nuances ao longo do disco que fica difícil falar de tudo. Não se pode esquecer que Rae emprega o mesmo flow e estrutura utilizados em "CREAM" em "Catalina", um beat apenas regular de Dr. Dre. Aliás, Dre contribuiu com duas batidas absolutamente genéricas de seu catálogo, o que é uma pena. As participações também não podem ser esquecidas: se Rae tornou-se mais cerebral, o inseparável Ghostface manteve o tom emotivo de antes, deu ótimo contraste e confirmou que R.A.G.U. continua sendo uma das melhores duplas do rap. Menção honrosa também para Beanie Sigel e seu verso em "Have Mercy", escrito como se ele estivesse dentro de uma cela, refletindo sobre como criar seu filho desta maneira, e para Masta Killa em "We Will Rob You", no melhor estilo "Labels" de GZA, mas usando o nome dos generais do Wu.

Quando o primeiro "Only Built 4 Cuban Linx" saiu, eu tinha apenas sete anos e, claro, não conhecia o rap. Uma frustração que tenho é não ter vivido a época em que tantos clássicos foram lançados. Mas, com esta sequência poderosíssima, Raekwon me dá a oportunidade de me redimir um pouco e tentar imaginar como deve ter sido o dia 1º de agosto de 1995. O que eu sei é que, em 1º de setembro de 2009, eu puder viver um pouco os tempos em que o Wu estava no auge e dominava o rap. E, só por isso, OB4CL 2 já vale a pena. Mesmo que, daqui a alguns meses, revele-se não tão completo quanto seu sucessor.

Raekwon - Only Built 4 Cuban Linx... Pt II
01: Return of the Northstar
02: House of Flying Daggers
03: Sonny's Missing
04: Pyrex Vision
05: Cold Outside
06: Black Mozart
07: Gihad
08: New Wu
09: Penitentiary
10: Baggin' Crack
11: Surgical Gloves
12: Broken Safety
13: Canal Street
14: Ason Jones
15: Have Mercy
16: 10 Bricks
17: Fat Lady Sings
18: Catalina
19: We Will Rob You
20: About Me
21: Mean Streets
22: Kiss the Ring

Vídeo de "New Wu":


Vídeo de "House of Flying Daggers":

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Jay-Z: Blueprint 3

Ano: 2009
Gravadora: Roc Nation
Produtores: Kanye West (faixas 1,2,4,9,11,12 e 15), No I.D. (1,23,4 e 9), Al Shux (5), The Inkredibles (6), Swizz Beatz (7), Timbaland (8, 10 e 13), The Neptunes (14).
Participações: Luke Steele (1), Rihanna (4), Kanye West (4 e 12), Alicia Keys (5), Young Jeezy (6), Swizz Beatz (7), Drake (8), J. Cole (9), Kid Cudi (11), Pharell (14), Mr. Hudson (15).

Faltando 11 dias para o lançamento oficial, o terceiro volume de Blueprint chegou à internet. O álbum chega com a missão de manter a tradição de Jay-Z em lançar sucessos comerciais, ratificar a relevância do veterano no jogo e, com alguma sorte, oferecer ainda mais argumentos àqueles que o consideram o melhor rapper vivo. Para isso, Hova recrutou uma constelação do mainstream norte-americano: produções de Kanye West, Swizz Beatz, No I.D. e Timbaland, e participações de Rihanna, Alicia Keys e as novas galinhas de ouro Drake e Kid Cudi. A questão que fica é: será que o mais que provável sucesso com o público encontrará ressonância entre os críticos?

Algumas coisas não mudam em Jay-Z: a competência em emplacar hits para rádios, a confiança exacerbada, a levada imaculada, as tiradas que valem pela música inteira e a capacidade de não variar os temas dos quais trata e mesmo assim abordá-los sempre de forma diferente. E "Blueprint 3" não é exceção. Aliás, confirma todas estas características, e ainda mostra um elemento cada vez mais crescente na carreira de Hova: a controvérsia, tão intrínseca aos grandes nomes do rap.

Assim, a esperteza que Jay mostrou ao detectar a crescente insatisfação dos fãs de rap com o autotune e lançar como single a ótima "Death of Autotune" que o faz não ter pudores em apelar para sonoridades e artistas mais comerciais. No fim de tudo, o mesmo instinto "pop" para encher as estações de rádio com faixas como "Run This Town" - em breve tocando em todas as rádios brasileiras - não faz parte da mesma lógica que transformou o autotune em ferramenta obrigatória para se ganhar dinheiro com o rap neste ano? Longe de criticar a postura de Hova. Na verdade, estas pequenas contradições só enriquecem a obra do cara, fomentam a discussão sobre o disco e apontam para novos detalhes que passam despercebidos.

E estes pequenos detalhes são encontrados aos montes neste novo álbum. Jay-Z continua estruturando seu discurso com base na sua posição atual no rap: uma espécie de magnata do gênero, capaz de fazer milhões com uma simples estrofe e de desfrutar estes lucros da maneira mais luxuosa possível. Nada perto do que a maioria dos fãs gostariam de ouvir dele, mas ainda assim verdadeiro e capaz de entreter - basta se despir dos preconceitos e procurar ouvir o álbum sob a ótica do cara.

E se este pequeno esforço é feito, surgem as recompensas. Como sempre, o Sr. Carter mostra um flow sensacional, variando cadência, entonação e pronúncia a seu bel-prazer, às vezes nem respeitando as demandas do beat. Além disso, as punchlines continuam abundantes. Seja a citação ao Brasil em "As Real As It Gets" ("Jay-Z é o equivalente auditivo do braille / é por isso que eles me entendem nas favelas do Brasil") ou o tradicional bragadoccio em "Reminder" ("homens mentem, mulheres mentem, os números não"), Hova mostra inspiração nas letras. "So Ambitious" mostra o agora milionário relembrando os tempos sem esperança de infância; "Off That" traz o quarentão rimando como um jovem de 20 anos ao mesmo tempo em que constata os novos tempos que vivenciamos; "A Star Is Born" recupera a palavra de ordem de que o gueto é onde as lendas nascem, enquanto Jay homenageia vários nomes do mainstream; por fim, "Venus vs Mars" é uma comparação entre Hova e sua amada Beyoncé com base em várias referências pop.

Aliás, é nesta última que emerge uma faceta do rapper. Ao rimar que "Pensei que a mina era a verdade, mas descobri que era uma traidora / nós deveríamos tomar tudo de assalto, mas a peguei ouvindo 'Ether'", Jay se revela um cara maduro o suficiente para lidar com sua condição e até brincar com seus momentos mais delicados na carreira, com sutileza suficiente para não perder a sempre necessária capa da invulnerabilidade que qualquer emcee que se preza ostenta. Ao mesmo tempo, ele acha tempo para debochar dos supostos invejosos que insistem em diminuir os feitos de Hova, com um flow muito próximo da perfeição em "Hate".

Mas nem tudo são flores. A direção claramente comercial das batidas escolhidas naturalmente custaria alguns pontos ao álbum. Algumas faixas construídas claramente para terem como destino as boates do mundo funcionam bem, como "Run This Town" e o bom refrão de Rihanna, a levada frenética de "Off That", a ópera eletrônica de "Reminder" ou a balada oitentista "Young Forever", mas é questionável se a maioria delas resistirá ao teste do tempo. Por outro lado, outras sequer passarão pelo teste individual deste escriba, que consistiu de dez audições completas: neste caso, "On To The Next One", do terrível Swizz Beatz, e "Already Home".

Talvez fosse bom que a produção tivesse um pouco mais do estilo "Death of Autotune" e um pouco menos de projetos de hits. Mas, analisando a trajetória de Jay e sua posição atual, é até compreensível. "Blueprint 3" pode não ser o clássico que muitos esperavam, mas também não é o lixo desprezível que outros muitos podem considerar mesmo sem ouvir o trabalho. E os méritos são todos deste rapper autoconfiante, com suas letras arrogantes e um carisma irresístivel. O último argumento é simples: poucos teriam espaço num blog chamado Boom Bap com um disco que passa longe do bom e velho estilo nova-iorquino.

Jay-Z - Blueprint 3
1. What We Talkin’ About
2. Thank You
3. D.O.A. (Death of Auto-Tune)
4. Run This Town
5. Empire State of Mind
6. Real as It Gets
7. On to the Next One
8. Off That
9. A Star Is Born
10. Venus vs. Mars
11. Already Home
12. Hate
13. Reminder
14. So Ambitious
15. Young Forever

Confira a tradução de "Empire State of Mind" no Rapevolusom
Veja a tradução de "Reminder" no Rapevolusom
Leia a tradução de "Death of Autotune" no Boom Bap

Vídeo da faixa "Death of Autotune":


Vídeo da faixa "Run This Town":