sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Buff1: Pure

Como prometido, aqui está o álbum de estréia do Buff1, moleque que vem sendo elogiado por quase toda a mídia especializada lá nos EUA. Pure, o primeiro álbum, já tinha garantido a ele um grande buzz, e um razoável número de pessoas esperando pela sequência dos trabalhos. Assim como em There's Only One, Pure é quase totalmente produzido pelo coletivo LabTechs, tendo apenas duas faixas sendo produzidas por outros beatmakers, no caso, Wajeed e Mr. Porter.

Basicamente, o que eu disse na resenha sobre o There's Only One pode ser conferido também em Pure. O estilo de produção do LabTechs é uma mistura de grooves dançantes e acelerados com samples mais melódicos, que casam perfeitamente com o flow de Buff1. A diferença básica neste álbum é que há uma diversidade maior de estilos nos beats, embora a predominância ainda seja do electro-soul, nome escolhido pelos produtores para definirem seu som. Para exemplificar: o álbum começa com a faixa-título, desprovida de bateria na primeira metade, com belos samples intercalando para criar uma atmosfera agradável; logo depois, Moving Along é o primeiro bom excerto do electro-soul, com um loop de piano sensacional e ótimo refrão; Pretty Baby diminui o ritmo, com samples vocais e violino, num som mais tranqüilo; mais adiante, Supreme, com a participação da impecável Invincible, é o mais próximo que o disco chega de um som minimalista e sombrio, com caixas graves e andamento acelerado. Por fim, o fim do disco reserva um som mais funkeado, com Show Stopper.

No microfone, Buff1 também mostra certa versatilidade. Ele consegue ir tranqüilamente da tradicional auto-exaltação a faixas com críticas sociais ou carregadas de filosofia. Se em Pure, a primeira faixa, ele mistura todas essas características, em The Kingdom ele clama por novos líderes entre os negros - vale lembrar que a faixa foi feita um pouco antes do fenômeno Barack Obama. Em Pretty Baby, Buff dá uma de Tupac Shakur e relata o drama de uma menina do gueto, de forma interessante:

"Ela disse que estava tentando arrumar comida pro menino dela
E mantê-lo bem agasalhado
Eu disse: 'Eu te entendo, parceira, não há nada de errado nisso
Mas isso é temporário, você tem um plano, certo?'
E ela disse: 'Apenas sentar e esperar até eu ter um bom homem na minha vida'
Eu disse: 'Bem, e se ele não vier ou você não receber amor,
então o que seu menino vai comer, hein?'"

O discurso contundente continua em House of Horrors, uma crítica ao governo norte-americano, embora no final do disco, Buff suavize os temas, tornando-se mais reflexivo. Em Show Stopper, ele explica que "M.C. para mim significa 'move the crowd'", ou seja, controlar o público. Algo que, dado o carisma e o talento do moleque, não é algo tão difícil para ele.

Enfim, o álbum de estréia de Buff1 já mostrava o caminho que ele seguiria no segundo álbum. Produção original, com um som e proposta diferentes, sem medo de criar faixas dançantes ou pesadas demais. Se continuar nesta evolução e neste caminho, Buff tem tudo para conquistar de vez o jogo do rap, tanto no âmbito do underground quanto no mainstream. Seria um alívio para o hip hop ter mais um representante legítimo nas paradas de sucesso.

Buff1 - Pure
01. Pure
02. Get To It
03. Moving Along (feat. Tiffany Paige)
04. Slick
05. The Kingdom (feat. Miz Korona & Elzhi)
06. I Go
07. Big Thangs
08. Pretty Baby
09. Much Better (feat. One Be Lo)
10. FoodchainGang
11. House of Horrors
12. Supreme (feat. Invincible & Guilty Simpson)
13. Show Stoppa
14. Hula Hoops
15. True Colors (feat. Now on & Monica Blaire)
16. That Fonk!
17. For U

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