sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Bekay: Hunger Pains


Ano: 2009
Gravadora: Coalmine Records
Produtores: The Returners (faixa 1), The Alchemist (2 e 15), Marco Polo (3), Shuko (4, 5 e 10), Alkota & Unknown (6), Illmind (7), DJ Babu (8), Contagious (11), BeanOne (12), Street Orchestra (13) e Jonathan Rotem (14).
Participações: DJ Revolution (2), R.A. The Rugged Man (3), Heltah Skeltah (7), Masta Ace (8), Wordsworth (10), Saigon (13), Inspectah Deck (13) e Dilated Peoples (15).

Com saudade daquele som pesado e agressivo típico da Nova Iorque dos anos 90? Pois o underground norte-americano continua tentando suprir esta demanda. A nova tentativa é "Hunger Pains", o álbum de estreia de Bekay, um nativo do Brooklyn que cresceu em meio a toda aquela efervescência que caracterizou o início da década passada como a época dourada do rap. Agora um homenzinho, é a vez de Bekay tentar resgatar a velha essência e trazer NY de volta ao topo do jogo, local onde esteve por tanto tempo.

Tudo bem, o parágrafo acima é bem clichê, mas quando você começar a ouvir "Hunger Pains", vai perceber que é um clichê no bom sentido. Carregando a honra de ter sido o último cara a gravar com o lendário Ol' Dirty Bastard, exatamente uma semana antes da morte do membro do Wu, o jovem Bekay tem uma levada bastante agressiva, rima como se estivesse com raiva do mundo e não pudesse perder um segundo sequer do precioso tempo com bullshits alheias. E é justamente esta determinação, esta postura "estou-numa-missão-e-nada-vai-me-parar" que traz brilho ao disco e transforma BK numa das boas revelações deste 2009 tão prolífico.

A carta de intenções de Bekay surge logo após a obrigatória introdução, na forma de "I Am". Sobre o piano jazzy de Alchemist, o nova-iorquino compartilha conosco sua visão do Hip-Hop, ao mesmo tempo em que relembra características antigas e se auto-intitula a própria cultura, comparando-se com diversos nomes consagrados do gênero e outros elementos típicos do movimento. Quando ele garante, com sua voz estrategicamente elevada, que é "duas turntables e um microfone", qualquer purista hip-hopper se rende ao moleque.

Mas a conquista definitiva vem na faixa seguinte, que conta com a participação de ninguém mais ninguém menos que R.A. The Rugged Man, também conhecido como ofuscar qualquer artista que o convida para rimar. "Pipe Dreams" é uma faixa conceitual, na qual Bekay é um jovem artista tentando ser contratado pela gravadora do diretor interpretado por R.A. Desnecessário dizer que é um grande dedo do meio oferecido às labels, mas de uma forma extremamente criativa. R.A., velho de guerra no que diz respeito a ter divergência com gravadoras, naturalmente rouba a cena, oferecendo mundos e fundos ao jovem aspirante a rappers, enfatizando de que vai usar o fato de Bekay ser branco para projetá-lo como o novo Eminem e já vislumbrando a produção do disco. "Eu vou te arrumar cinco beats do Kanye West, outras duas do Lil'Jon, para o mercado do Sul". A resposta do nova-iorquino é certeira. "Primeiro de tudo, eu não vou lançar lixo, cara / (...) e se você quer me comparar ao Eminem, foda-se você e foda-se ele também / e quem disse que quero agradar o mercado do Sul? É só eu que acho, ou todas as batidas do Lil'Jon soam a mesma coisa?".

A partir daí, o álbum engrena numa sequência de batidas fortes e rimas mais agressivas ainda. A produção é claramente influenciada pela era de ouro do rap, com muitos scratches, colagens daquela época e toneladas de samples utilizados. Apesar de Bekay contar com pesos-pesados nos beats, como Marco Polo, Illmind e DJ Babu, é Shuko o responsável pela maioria das faixas e pelos momentos mais marcantes. "Bloodsport" e "Young" são duas produções do beatmaker que mostram um estilo Premier nos cortes dos samples e, obviamente, casam perfeitamente com a abordagem de Bekay. O único momento em que a pancadaria sonora dá um tempo é em "Brooklyn Bridge", de Babu, uma homenagem ao Brooklyn, com participação do veterano Masta Ace. Até mesmo Bekay abaixa alguns decibéis do seu flow para encaixar no clima da faixa.

Apesar de a força de Bekay ser enfatizada aqui, fica claro que ele não é apenas um emcee com rimas de batalha sobrando no caderno de rimas. Ele é capaz de diversificar seus temas para não tornar o álbum repetitivo. "Rapstar" segue o exemplo de "Pipe Dreams" e utiliza outro ângulo para falar das agruras de um jovem tentando vencer no mundo do rap sem fazer concessões a gravadoras. "Pops" é outro momento mais introspectivo: uma carta tensa de Bekay a seu próprio pai, capaz de fazer com que muitos se identifiquem com algumas partes da letra. Mas é realmente nos bate-cabeças que o jovem nova-iorquino se encaixa, especialmente quando ele troca versos com nomes consagrados. Em "Crazy", ele compartilha o microfone com a dupla Heltah Skeltah e não faz feio; já "The Raw" recebe Saigon e Inspectah Deck no maior batidão do disco.

No fim das contas, "Hunger Pains" é verdadeiramente uma homenagem à velha escola, mas vai além disso. Mostra um emcee promissor, com um estilo próprio e marcante, com total capacidade de não ficar restrito apenas ao circuito das mixtapes e participações especiais. Bekay tem talento, respeito pela época dourada - o disco é recheado de referências desta natureza - e sabe o que quer. Olho no moleque.

Bekay - Hunger Pains
01. Intro
02. I Am
03. Pipe Dreams
04. Bloodsport
05. Young
06. Rapstar [Hunger Pains]
07. Crazy
08. Brooklyn Bridge
09. That’s Brooklyn
10. Skemers
11. Realest That Run It
12. Pops
13. The Raw
14. Visions
15. I Am [Remix]

Vídeo de "Bloodsport":


Vídeo de "I Am" e "Brooklyn Bridge":

6 comentários:

S.A.R.C.I. disse...

pow, pela resenha m interessei, mas ñ achei em lugar nnhum :S

vou conferir ..

Lucas disse...

curti o som do cara.. e realmete varios nomes de peso..

rodrigo disse...

Onde faz o down!!!! loko o son do cara !!!!

Anônimo disse...

Segue o Link.

http://www.megaupload.com/?d=DX2RQKSK

J.Malta disse...

Detalhe, Hunger Pains não é o primeiro trabalho do bekay, em 2007 ele já tinha lançado seu albúm de estreia 'The Horror Flick'

Mesmo assim, são 2 albuns muito bom que mostra a agressividade e o talento notório de mais um remanescente da escola do rap americano, o Brooklyn!

Felipe Schmidt disse...

Valeu pela correção, J.Malta. Vou correr atrás deste primeiro álbum. Abraço!