quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Leia, estude, construa seu poder interior

A frase que dá título a este post é uma das mais marcantes do Guru, na época em que ele ainda era relevante e fazia parte do Gangstarr, junto com DJ Premier, na faixa "JFK 2 LAX", do álbum "Moment of Truth". E, revirando meu arquivo mental de frases do rap, não encontrei nenhuma melhor para batizar o texto a seguir. Nem só de música a gente vive, certo? Que tal falarmos um pouco sobre livros? E, para não desviar da proposta do blog, que tal livros sobre Hip-Hop?

Infelizmente, conheço pouquíssimos trabalhos em português sobre a cultura. Seja por falta de busca mesmo, seja por procurar evitar aqueles que tratam o Hip-Hop sob um viés antropológico, como um pequeno monstrinho diferente a ser observado. Meu interesse sempre repousou na música e na poesia da cultura. Portanto, apresento aqui cinco livros que já li sobre este gênero que faz a gente balançar a cabeça no metrô como doidos: "The Wu-Tang Manual", escrito pelo RZA, "Can't Stop, Won't Stop", do Jeff Chang, "Book of Rhymes: The Poetics of Hip-Hop", do Adam Bradley, "Check The Technique: Liner Notes for Hip-Hop Junkies", do Brian Coleman, e "And It Don't Stop: The Best American Hip-Hop Journalism of the Last 25 Years", da Raquel Cepeda. Infelizmente, todos só estão disponíveis em inglês, embora haja uma possibilidade fortíssima do livro do Jeff Chang ter uma edição em português.

Pois bem, falemos de cada um. É bom frisar que cada um puxa para um prisma diferente do Hip-Hop. "The Wu-Tang Manual", por exemplo, é um verdadeiro mergulho profundo na história do maior grupo de rap de todos os tempos. Escrito pelo cara que planejou toda a história do Wu e controlou com mãos de ferro o destino de todo mundo nos primeiros cinco anos de existência do coletivo, o livro explica todas as influências da banca, traz uma biografia de cada um dos membros, interpretações de algumas das letras mais famosas e, por fim, mostra um pouco das técnicas de produção do RZA (!) e de rima dos outros caras. Ali estão tratados sobre os Five Percenters (incluindo o alfabeto dos caras), explicações sobre como temas aparentemente distantes do rap como o xadrez e as artes marciais praticamente moldaram a filosofia do grupo. Depois de ler este manual, já é possível se considerar um doutor em Wu-Tang Clan. Tem até um dicionário com as gírias dos caras.

Metonimicamente saindo da parte e indo para o todo, "Can't Stop, Won't Stop" é, simplesmente, a história do Hip-Hop, desde quando ele era apenas um fenômeno sem nome por dentro de gangues latinas e negras dos anos 70, à espera para ser libertado em todo o seu potencial, até a primeira década do novo milênio. É talvez o mais difícil de ler para quem não é tão familiarizado com o inglês, mas, por outro lado, é uma ótima motivação para aprendermos um pouco a língua. Eu tive de ler com um dicionário a postos, mas não me arrependi. A obra, aliás, não fala só sobre rap, pelo contrário; dá bastante ênfase ao grafitti e ao break, principalmente no início. A invasão dos grafiteiros em galerias de arte nos anos 80 e a visita de moleques abusados do Brooklyn à Europa para mostrar seus novos passos estão entre os destaques.

E, se o rap é ritmo e poesia, Adam Bradley exemplifica bem o segundo componente da fórmula em "Book of Rhymes: The Poetics of Hip-Hop". Aqui, ele mostra todo o potencial poético do rap, um representante urbano e moderno que pode ser considerado uma nova escola entre os diversos estilos de poesia que a gente estuda no colégio. O Bradley, aliás, leciona língua inglesa, e fala com bastante propriedade, principalmente quando compara os recursos linguísticos utilizados pelos emcees e que foram explorados há alguns séculos por grandes nomes da literatura norte-americana. É um livro até bastante técnico, mas, na minha opinião, essencial para qualquer aspirante a emcee. Mostra que rap não é só rimar "jão" com "não"; é algo que, se bem explorado, pode ter um potencial muito maior e bem mais potente. E não se concentra só na escrita; tem capítulos sobre flow e ritmo bastante úteis para novos Tupacs, Biggies, KRS-Ones e Manos Browns.

Falando em nomes clássicos do rap, "Check The Technique: Liner Notes for Hip-Hop Junkies" é um prato cheio. Aqui, o Brian Coleman conversa com os envolvidos na feitura de 36 dos mais importantes discos de rap da história, escrevendo, basicamente, um making of, faixa a faixa, de todos eles. Além disso, cada capítulo, ou cada álbum, é precedido por um rápido histórico do grupo em questão e da época que eles fizeram o trabalho. Sabia que Trugoy e Posdnuous não gostavam do sucesso "Me, Myself and I" e o primeiro verso do último foi escrito pelo primeiro? Está no livro. Q-Tip e Phife falando sobre "The Low End Theory"? Bem neste livro, amigos.

Por fim, e um pouco mais específico, uma joia que eu nem sabia que existia. A Raquel Cepeda compilou os melhores artigos dos últimos 25 anos da mídia norte-americana do Hip-Hop em "And It Don't Stop: The Best American Hip-Hop Journalism of the Last 25 Years". Vocês imaginam o quão importante isto é para alguém que, bem ou mal, tenta desenvolver um trabalho parecido no Brasil? Além disso, é uma aula de jornalismo. Divididos em três décadas, os artigos trazem uma mulher fã de rap tentando entender por que ela gosta tanto do machismo de um Ice Cube no auge, um perfil do Biggie de um jornalista que esteve com ele até um dia antes da morte do rapper, uma reportagem sobre as groupies do rap, uma tensa entrevista entre Chuck D e um jornalista que criticou seu trabalho etc etc etc.

E vocês, têm alguma sugestão de livros sobre Hip-Hop? Estou aberto a sugestões para aumentar esta biblioteca, principalmente de trabalhos nacionais.

14 comentários:

Alissão !! disse...

Bem legal,
Tem um livro nacional sobre o Hip Hop muito bom, o "Acorda hip hop" do DJ TR(ex MV Bill), ele conta um pouco da historia, e destaca alguns debates do hip hop com vários depoimentos ionteresantes de pessoas diretamente envolvidas com a cultura.

HipHopSkateMusic disse...

Felipe tem os:

Hip Hop A Lapis
O Livro Vermelho do Hip Hop

Robson Assis disse...

Salve!

Excelente o texto, bem loco, vou procurar alguns desses, o problema mesmo é achar os livros!

Como indicação, fica o "Unbelievable: The Life, Death, and Afterlife of the Notorious B.I.G" que além da história do rapper, ajuda a entender bastante a treta east/west coast.

Abraço!

edinho disse...

Ow mano belo iniciativa , vou tentar baixar esses livros , agente que curte rap sempre manja um pouco de ingles se não souber é só jogar no google tradutor, e tenho outra ideia faz um minidicionario de girias em ingles e põe no blog , fico na espera , vlw!!!!

Algoz disse...

Salve Felipe, satisfação irmão!
to aqui para parabenizar o seu trabalho. E também para pedir uma explicação sobre a frase que você postou no seu blog sobre o Guru que é a seguinte: "na época em que ele ainda era RELEVANTE e fazia parte do Gangstarr". Qualquer coisa desculpa a minha ignorancia você ta ciente que admiro seu trampo abração!!!!!!!
Paz Algoz

thew disse...

opa da hora hein.. meu um que eu indico é o behind the beat muito bom pra quem aprecia a arte dos beats!!

Anônimo disse...

parabens pelo post felipe... abrindo mais a mente de quem curte a parada por aqui, virando o jogo e mostrando informacoes que ate circulavam por um pequeno grupo que nao faz questao nenhuma de disseminar esse tipo de coisa... mais uma vez representando de verdade...

off topic: to no aguardo sobre o site e a mixtape.

abs.

fzero

S.A.R.C.I. disse...

são cinco .-.

Anônimo disse...

Primeiramene Prabéns pelos post's e o blog esta otimo!!Vou procurar esses livros que vc mencionou, principalmente o que fala sobre tecnicas/metricas e levadas so acho uma pena não ter traduções oficias pois traduzir no google(ou por conta propria ) fica muito artificial.(mas ta valendo!!)
Quem souber se existe algum ai traduzido me da um alò ...
E mais uma vez parabéns pelos post's!!!!
Izaias Azze

Anônimo disse...

Se alguém conhecer algum traduzido,me da um salve!!!!
Agradeço desde jah !!!
izaiasazze

Felipe Schmidt disse...

Pessoal, valeu pelas indicações, vou correr atrás de todas.

Algoz, minha opinião sobre o Guru pode ser conferida no post que fiz sobre o Moment of Truth, que era uma espécie de carta aberta a ele. Resumindo, a postura do Guru de que ele foi O cara do Gangstarr e de que ele não precisa do Premier é, para mim, equivocada. Acho que quem carregava o grupo nas costas era o Primo. Quanto à questão da relevância, é só ver as tentativas fracas do Guru nos últimos anos de tentar se manter no topo.

Sarci, valeu pelo toque, essa parada de fazer contas não é muito comigo rs.

Izaias, acho difícil encontrar a tradução pela internet. Nem os ebooks são fáceis de encontrar. Tanto que tive de comprar todos rs.

S.A.R.C.I. disse...

tranquilo ahuasuhaasuh

eu na fome d corrigir nm comentei o post rs

se alguém achar algum [de preferencia o do Clã] traduzido, ainda q seja uma tradução mais pobre, feita na net, ou de apenas alguns trechos, pod dar um alô aqui :D

boas recomendações, correndo atrás rs

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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