segunda-feira, 22 de março de 2010

Entrevista: Elo da Corrente

No fim do ano passado, o trio paulistano Elo da Corrente, formado pelos emcees Caio e Pitzan e o DJ PG, lançou o EP "O Sonho Dourado da Família", o primeiro trabalho inédito do grupo desde o disco de estreia "Após Algumas Estações", que saiu em 2007. Favoritos do Boom Bap no rap feito no Brasil, Pitzan e Caio concederam uma entrevista por e-mail ao blog, onde falaram sobre o EP, o disco novo - que comemorará a primeira década de existência do Elo -, a participação na Missão de Pesquisas Folclóricas e mais. Confira a conversa e aproveite para ler a resenha sobre "O Sonho Dourado da Família"!

Boom Bap: Como surgiu a idéia de lançar o EP no fim do ano passado? Qual o objetivo do Elo com "O Sonho Dourado da Família"?
Pitzan: Desde o fim do ano passado a gente vem pensando no nosso álbum de 10 anos. A cara que a gente quer que ele tenha, a sonoridade. O EP surgiu quando a gente se ligou que já tínhamos instrumentais pra muito mais que um álbum, e os que estavam relativamente sobrando tinham uma unidade.

Caio: Juntamos seis beats, sendo dois de cada um de nós e começamos a escrever. No fim de tudo, fizemos juntos o último instrumental, intitulado “Fim”. Não existe um grande objetivo por trás de “O Sonho Dourado da Família”, é apenas necessidade de se fazer algo novo.

BB: Qual o significado de "O Sonho Dourado da Família"?
Pitzan: É a nossa união. Eu e meus irmãos, Caio e PG, mais próximos do som.

Caio: Todos têm sonhos, e o da família Elo da Corrente é continuar nos reinventando, produzindo, fazendo shows. Criando boa música!

BB: No EP, vocês trabalharam com uma diversidade de temas, como escravidão e política. Qual foi o denominador comum, se é que houve, que possibilitou a vocês juntarem faixas com temáticas tão diferentes num único registro?
Caio: O denominador comum talvez seja o timbre de nossas vozes. Os beats são bem diferentes uns dos outros, e na verdade isso aconteceu naturalmente. Um disco com apenas sete faixas falando de coisas parecidas não seria tão interessante.

Pitzan: A gente só queria fazer diferente do que fizemos no “Após Algumas Estações”.

BB: Na resenha que escrevi no Boom Bap sobre o EP, eu deixei minha interpretação sobre a faixa "Um Filme", mas queria saber de vocês. O que de tão precioso vocês carregavam durante a faixa?
Pitzan: Um disco. Eu ainda dou a letra: "...dando as coordenadas pra entrega da lenda/ de 10 polegadas, não há quem não se renda/ às suas batidas pesadas..." . A letra se trata do roubo desse disco de 10 polegadas. No filme, eu e o Caio somos os ladrões, o PG é o cara que contrata a gente pra roubar o disco, que existe, de fato. O grupo se chama Orquestra Afro Brasileira e o álbum, Obaluayê. É o primeiro deles. Meu irmão PG adquiriu essa preciosidade e o som bateu muito forte em nós três. A gente pirou tanto nesse disco que precisávamos falar dele de alguma forma. Os scratchs e a colagem que ele usou vieram desse disco. E ele termina com um "Obaluayêêêêê..."

BB: Deu para perceber no EP uma musicalidade bem próxima dos ritmos brasileiros. Como se deu essa aproximação? Foi algo pensado ou ocorreu naturalmente?
Caio: Há tempos a gente tenta aproximar nosso rap daquilo que ouvimos de música nacional. Acho que isso é natural que aconteça até com outros grupos com o passar do tempo, pois já é hora de fazermos um som em nosso país que, por mais que venha de algo que vimos primeiramente na América do Norte, tenha características brasileiras não só nos temas abordados. Durante muito tempo se fez rap aqui muito parecido com o de lá, mas percebo que de um certo tempo pra cá outros grupos de rap também tem tornado a coisa mais brasileira.

BB: Como foi o processo de gravação e produção do EP? Eu li na comunidade do grupo no Orkut que os beats usados foram material que sobrou da gravação do disco novo...
Pitzan: Foi praticamente isso. Já a gravação de vozes foi feita em único dia.

BB: Falando no disco novo, já há uma previsão de lançamento? Qual será o nome do projeto?
Pitzan: O disco ainda não tem nome e nem previsão de lançamento.

BB: Como está o andamento da "confecção" dele? Já existem participações confirmadas? As produções serão do próprio grupo? O que podemos esperar em termos de assuntos abordados?
Pitzan: Os instrumentais serão todos nossos. As participações ainda não foram definidas, mas teremos algumas e, quanto aos temas, tentaremos fazer diferente de tudo que fizemos até agora.

BB: O grupo participou recentemente da Missão de Pesquisas Folclóricas. Como foi a experiência?
Caio: Foi fantástico! É algo que a gente ainda pretende levar adiante, planejamos lançar um disco da Missão e já estamos gravando, aos poucos, as músicas que compusemos para esse trabalho.

BB: A participação na Missão de Pesquisas Folclóricas influenciou em algo na concepção deste novo disco (ou no próprio EP), tanto musicalmente quanto liricamente? Qual foi a importância dela para o grupo?
Caio: Foi de extrema importância para nós. A imersão nessa atmosfera dos fonogramas captados por Mario de Andrade nos deu a sensação de lidar com a raiz da música que mais temos pesquisado e comprado elepês. É perceptível o lance afro não só na parte rítmica quanto em algumas melodias de voz, isso mexeu demais com a gente pois esses fonogramas tinham muito a ver com aquilo que estávamos pretendendo usar nos nossos próximos instrumentais ou simplesmente coisas que andávamos escutando bastante. Com certeza foi e continuará sendo uma das experiências musicais mais sensacionais das quais participamos.

BB: Desde que surgiu, o Elo demorou um bom tempo para lançar seu primeiro álbum. Já o intervalo que separou este segundo disco foi bem menor. A que vocês creditam isso? Acham que o momento pelo qual o Hip-Hop brasileiro passa facilita a produção ou, agora que vocês já "estrearam", fica mais fácil colocar o trabalho nas ruas?
Caio: A gente sempre vai colocar discos na rua, é algo que nós três gostamos muito, ter o disco físico em nossas mãos. É tornar a música palpável. Nos últimos tempos temos estado bastante produtivos, e esse intervalo menor, acredito que se deva a isso.

BB: Junto com o lançamento do EP, vocês também comercializaram uma camisa relacionada ao trabalho. Como surgiu a ideia? Como foi a recepção do público? Vocês ficaram satisfeitos com o resultado? Pretendem explorar esta ação novamente com o disco?
Pitzan: O público gosta e a gente também. A recepção foi muito boa. Foi algo que já havíamos feito inclusive com o “Após Algumas Estações”, mas dessa vez a qualidade do produto final nos agradou um pouco mais. Ainda não sabemos se faremos outra camiseta quando sair o disco de 10 anos, mas existe a idéia de lançarmos algo junto com o play, alguma espécie de acessório para os ouvintes que se interessam em colecionar nossos lançamentos.

4 comentários:

Bruno vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DiegØ 157 disse...

Elo 4Ever!
Saudações hermanos!

Gusta disse...

O melhor e mais inteligente grupo de rap brasileiro.
Parabéns ao Boombap pela entrevista e ao Elo pela qualidade =D

Abraços!

Anônimo disse...

Bheck, nome artístico de Igor Cabral Ramos (05 de Fevereiro de 1993)
na cidade em Salvador-Ba. Cantando Rap desde de 2008,
iniciou sua carreira musical a partir de sua influência no rapper americano
Marshall Bruce Mathers III (Eminem).

Em Breve sua primeira Mixtape "Sabedoria Musicalidade"
com 7 faixas que já está em andamento

MySpace Oficial:
http://www.myspace.com/mcbheck

Comunidade Oficial:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=65675037

Já esta disponivel para Download meu mais novo som Eu Quero Só Você
Que tbm irá estar presente na minha primeira Mixtape Sabedoria Musicalidade

Link - http://www.4shared.com/audio/abaxhdpS/Eu_Quero_S_Voc.html