quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

7º: Killah Priest - The Offering


Produtores: Godz Wrath(faixas 1,6,9,11 e 13), Arythmetic(2), Kount Fif(3), Shakim Allah(5,16), Sane 720(7), 4th Disciple(8), Chuckie Madness(10), Sam Sneed(17).
Participações: Nas, Hell Razah, Ras Kass, Canibus, Kurupt, Bloodsport, Immortal Technique, Zariya e Stori James.

Killah Priest sempre foi um dos mais respeitados emcees afiliados ao Wu-Tang Clan. Aclamado pela crítica como um dos melhores letristas do jogo, o cara teve vários altos e baixos na carreira, inclusive cortando e depois reatando lanços com o Wu. Sua escrita, porém, continuou impecável durante todo esse tempo. Com The Offering, Priest volta a chamar a atenção de um maior número de fãs e não desaponta.

O grande carro-chefe do álbum reside nas letras complexas, cheias de referências históricas e bíblicas, com um toque profético e ainda assim bastante relacionado às ruas. A técnica de Priest é tão apurada que você nem percebe o quão complexa é a sua escrita. Junte isso a um flow agressivo e ouvir Killah Priest é como se ele abrisse sua cabeça e despejasse seus versos lá dentro.

Em The Offering, podemos perceber um emcee fiel ao seu estilo, sem muitas tentativas de expandir seus temas. As metáforas com fundo bíblico misturadas à auto-exaltação permeiam todo o álbum, mas são ainda mais evidentes em "Uprising" e "Salvation". Priest também tem um repertório mais político e mostra isso em "Standstill" e "Gun for Gun", com participações de dois pesos pesados: Immortal Technique e Nas, respectivamente. Em "Ghetto Jezus" e "Osirus Eyes", Priest vai ainda mais fundo nos temas religiosos.

Porém, é nos (poucos) novos territórios explorados que o emcee tem mais sucesso. "Essential" é uma música mais abstrata, analisando o que é essencial às nossas vidas. "Happy"(baixe a tradução completa aqui) é outra música bastante pessoal, com Priest contando a história de sua vó e depois de uma mãe em coma e seu filho. "How Many" é um desabafo de Priest, que diz não entender o porquê de não ser tão reconhecido quanto outros rappers, e no refrão resume tudo:

"Quantos emcees eu preciso derrotar?
Em quantas rimas eu vou precisar mostrar minha técnica?
Quantas mais metáforas?
Quantas mais cartas?
Quantas vezes eu vou precisar mostrar que sou melhor do que vocês todos?"

Em "Truth B Told", Priest segue a linha "contra-emcees-de-plástico" e desabafa sobre como é incompreendido pela indústria:

"Espere um pouco, me deixe explicar uma coisa
eu assinei meu primeiro contrato com a Geffen Records
eu disse àqueles otários que eu não era um passo em falso
na época do meu lançamento, aqueles bastardos estavam tipo:
'legal, nós vamos te dispensar, nosso diretor está procurando outro'
eu disse que iria processá-los, eles disseram: 'tudo bem, preto
nos leve ao tribunal junto com seu advogado Larry Stud Nicky
e nós vamos acabar com ele também", eu quase me senti arruinado
e no meio da confusão eles comentavam entre eles,
'nós não entendemos a música dele
, como nós vamos comercializar isso?
ele fica falando sobre religião
e profecia'
eu disse, "porra, mas isso ainda é rua, é verdadeiro, as pessoas podem se identificar'
em resposta, eles disseram: 'Priest, jogue essa merda no lixo'
apesar de caras como Nas, Jadakiss e Pun me falarem que eu era bom
quase no nível de Kool G Rap e o KRS-One
e GZA me disse que toda essa merda iria acontecer, pra eu continuar rimando
eu disse "pode até ser mano, mas eu não sou otário"
e ainda que essas gravadoras tentem me ferrar, este é Priest
Volume Um, mano, essa merda tá prestes a fica feia"

Mas não é só nas letras que o álbum se destaca. Os beats são bem consistentes, sem um ponto alto nem baixo, e surpreendem por não trazerem o tradicional som do Wu. Outro ponto curioso é que o álbum quase inteiro é produzido por nomes desconhecidos, à exceção de 4th Disciple. "Uprising" é composto por um sample vocal, bem no estilo que fez Kanye West famoso. O beat à la DJ Premier, mas bem menos acelerado, com strings em "Melodic Pt.2" também é um dos pontos altos. Nota-se também uma tendência para instrumentais mais sombrios, como no piano de "Ghetto Jezus" e na sensacional "Til Thee Angels Come". Em alguns momentos, beats mais tranquilos também aparecem, dando um equilíbrio interessante: é o caso de "Happy" e "PJS". Para finalizar a bem sucedida mistura, músicas como "Gun For Gun" e "How Many" são bem mais aceleradas e agressivas, exatamente como as letras e o flow de Priest.

Depois de alguns anos sumido no radar dos fãs de rap, Killah Priest voltou com um álbum bem feito e bastante consistente, com poucas decepções e fazendo algo do qual outros artistas inexplicavelmente abdicam: procurando manter seu estilo e agradar seus fãs, sem prejudicar a busca por inovações. Letras inteligentes e complexas, beats coerentes com cada música e um emcee extremamente agressivo. Esta é a oferta de Priest.

Killah Priest - The Offering
01. The Offering (Intro)
02. Salvation
03. Gun For Gun (feat. Nas)
04. How Many
05. Uprising
06. Melodic Pt. 2 (feat. Hell Razah)
07. Priesthood
08. Inner G (feat. Ras Kass, Canibus & Kurupt)
09. Ghetto Jezus
10. The Offering
11. Truth B Told
12. Osirus Eyes
13. Standstill (feat. Bloodsport & Immortal Technique)
14. PJS (feat. Zariya)
15. Happy (feat Stori James)
16. Essential
17. Til Thee Angels Come (feat. Blackmarket)

Download

Download da tradução da música "Happy"