terça-feira, 13 de novembro de 2007

Entrevista: Zamba

I - Apresente-se para o pessoal, de onde você é, como começou no Rap?
Sou um Mc de Birigui{interior paulista}, tenho 21 anos e desde pequeno sou conhecido como Zamba, por causa do meu sobrenome Zambaldi, e adotei como Zamba meu nome artístico, comecei a escrever minhas primeiras rimas em 2000. Na época eu gostava muito de rap e tinha pouco conhecimento no assunto, e na escola onde eu estudava chegou um aluno novo que era da capital e ele me mostrou como o rap era grande, ele tinha um estúdio no seu quarto, e foi aí que eu tive contato mesmo com o rap e me apaixonei por essa arte.
Ele ja tinha um grupo de rap com outro mc aqui da cidade, e quando eu mostrei uma letra minha eles deram risada, tiraram onda da minha cara. Fiquei arrasado, mas acho que foi isso me serviu de fortalecimento, pois percebi que ninguem dá valor pro seu trampo se ele for mais ou menos,
então comecei a me dedicar na escrita mostrando minhas rimas somente pros amigos verdadeiros, que apontavam o defeito, mas também a qualidade.
Fui devagar, no sapatinho. Gravei algumas de minhas letras da época em batidas gringas só pra ficar ouvindo eu mesmo e acompanhar a evolução, hoje em dia acho que fiz o certo pois não fui com muita sede ao pote e não quebrei a cara, eu acho que é isso que os novos mcs tem que fazer,
trabalhar a lirica e o flow antes de ficar pensando na produção, prefiro ouvir uma boa letra num beat gringo do que uma letra fraca em um beat produzido.

II - O rap tem passado por uma divisão, sendo criados sub-estilos de rap, como o gangsta, o underground, o político, o pop...como você se encaixa nessa divisão e qual sua opinião sobre isso?
Minha opinão sobre isso é a mesma que os manos do Arsonists falam em uma de suas musicas: "NÃO SOMOS DO UNDERGROUND, NÃO SOMOS DO MAINSTREAM, SOMOS DO HIPHOP".
Gangsta hoje em dia eu acho molecagem, é claro que existem mcs que ja foram bandidos ou traficantes, e eles sabem que é bem melhor o caminho do rap do que o caminho do crime mesmo sendo mais dificil o caminho do rap, pena que muitos preferem passar uma mensagem negativa e criminosa porque isso dá dinheiro pois existem muitos bandidos ouvintes nesse mundo.
Não que eu seja contra alguem que passa em suas letras a realidade do crime e a realidade de como é bem mais facil ser do crime do que ser um capacho trabalhador explorado nesse mundo capitalista principalmente nesse país desonesto chamado Brasil, muitos viveram isso e passam a mensagem de que isso não vira mesmo sendo a melhor escolha, só que eu vejo varios moleques que se dizem Mc que moram no centro ou num bairro tranquilo falando de sua quebrada imaginaria, falando de crime sem ao menos ter contato com essa merda.
Não gosto desse lance de dizer que é underground e escrever letras que ninguém entende e a parada ser mal feita, underground pra mim é ser criativo, um exemplo de um mc underground do Brasil que eu gosto muito é o Black Alien.
Tambem não gosto de rap politico que só reclama e não mostra uma saída, não mostra resistencia.
Hip Pop eu odeio, detesto mcs putas da fama facil que vão rebolar na midia, o Rap pode ser de festa e pode ter conteúdo ao mesmo tempo.

III - Como é o seu processo de escrita? Quais temas você se sente mais confortável ao abordar?
Meu processo hoje em dia ja não é mais lento, hoje em dia as rimas surgem facilmente, e tem letras minhas que falam de varias coisas mesmo não batendo com o tema.
O tema que eu mais gosto de usar é a realidade, tanto a minha quanto a realidade do mundo, gosto tambem de letras positivas em beats tranquilos pro ouvinte ouvir e ficar na boa.

IV - Em suas músicas, como você equilibra a parte escrita, como a mensagem e as rimas, com a parte musical, como os beats, o refrão e o flow? A que você dá mais importância no momento que está construindo a música?
Eu prefiro as batidas mais sinistras, mas tambem gosto das tranquilas com pegada jazz, tenho planos de fazer rap com rock, rap com jazz, rap com reggae e pra todo beat acho que existe um tema certo.

V - Eu notei que os beats são muito bons, fale mais sobre os produtores das músicas e como você fez o contato com eles.
Minhas primeiras musicas pra valer mesmo, produzi com o Dj Nobre, de Franca(SP). O Nobre flagra muito, tem muito conhecimento sobre o assunto.
Hoje em dia eu tenho contato com varios produtores, o Dj Caique de SP, o Meia Beats de Caxias, o Coyote de BH, e todos eu conheci através da bençao chamada internet e myspace.
Me considero um Mc abençoado pois trabalho com os melhores produtores, e eles sabem da situação, sabem como é dificil lançar um cd independente, sabem como é dificil pagar por estúdio e pelas produções, e assim alguns deles até hoje não me cobraram nada pelo instrumental.
Serei grato eternamente para aqueles que entendem o meu lado,o dinheiro não está na mão no momento, mais quando eu lançar meu cd e entrar uma grana vou pagar tudo que devo pra esses manos, nunca esquecerei deles.

VI - Quais suas principais influências, tanto no Rap quanto nos outros estilos de música?
São muitas...vou citar algumas: Immortal Technique, Jedi Mind Tricks, Gog, Valete, Sam the Kid, Black Alien, Bezerra da Silva, Racionais, Cambio Negro, Rzo, Mobb Deep, Nação Zumbi, Boot Camp Click, toda a banca da Psycho-logical, Cypress Hill, Planet Hemp, Tupac, Notorious, Dr Dre, Frank Sinatra, Coltrane, Wu-tang e etc...

VII - O que você acha que te diferencia em relação aos outros emcees daqui do Brasil?
Minhas letras são mais polêmicas, mais políticas, e eu articulo bastante minha levada, e falo de varios assuntos, coisa que poucos fazem no Brasil.

VIII - Na sua opinião, o que falta para o rap aqui no Brasil atingir o nível dos EUA, em termos , de estrutura e profissionalismo?
Sou uma pessoa bastante paranóica, carrego comigo varias teorias de conspiração que o sistema aplicou no povo, e o Brasil é um dos países mais manipulados do mundo, a minoria elite manipula a maioria povo.
O rap no Brasil não vai pra frente porque o sistema não permite informação para o povo, eles só deixam circular na midia o rap pop, ou até mesmo o rap bandido fraco com refrãozinhos dramaticos, ambos inofensivos para o sistema.
O rap tambem não vai pra frente porque muitos não fazem nada a favor da cultura, varias panelas, varios mcs que começaram a fazer rap no almoço e querem fazer sucesso na janta, são muitos fatores.
Se o rap aqui no Brasil se tornar forte como nos EUA pode ter certeza que só o hipPOP que vai prevalecer na midia.
Acho que os adeptos deveriam se unir mais e parar de intriguinha, e lançarem coletâneas fudidas só com bons mcs e bons produtores no mesmo cd, todos batalhando pro cd sair, e se alguem for organizar algum evento que ele seja bem organizado.

X - Qual a análise que você faz do papel da Internet no Brasil para o Rap?
Sou a favor do cd pirata, sou a favor de baixar mp3, tem varios grupos que só conheci através a net, o Valete de portugal por exemplo, o cd dele não tem no Brasil. Sou contra pagar 40 reais num cd, lembro que antigamente era 15 reais um cd original. A internet é uma benção, blogs como o Boom Bap são as melhores fontes para encontrar a boa musica.

XI - Fale mais sobre o seu álbum, como o conceito dele, as pessas envolvidas, data de lançamento...
Meu cd vai demorar pra sair, vou trabalhar ano que vem nele, o mais provável é que ele saia no começo de 2009, além dos meus corres e da ajuda dos meus país, tambem consegui ajuda financeira com patrocinios, o cd vai sair pesado, e o conceito é que saia do jeito que eu quero.

XII - Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para poder produzir esse álbum e colocá-lo nas ruas?
A maior dificuldade é a falta de dinheiro e como encontrar os produtores certos.

XIII - O que as pessoas podem esperar do seu álbum?
Conteúdo e qualidade, participações de mcs de peso e rimas escritas com sinceridade, honestidade, amor e ira!!!

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