quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Resenha: Violent By Design

Depois de lançarem seu primeiro álbu, The Psycho-Social..., o emcee Ikon Hologram e o produtor Stoupe não foram muito notados na cena, apesar dos beats exuberantes e as letras cheias de fúria. Ao lançar Violent By Design, a dupla sentiu que precisaria ter beats ainda mais exuberantes e letras ainda melhores. Conseguiram.

Com a ajuda de Jus Allah no mic, Ikon(mais tarde conhecido como Vinnie Paz) manteve seu leque de temas, com as inúmeras referências a fatos históricos e religiosos, e aumentou a fúria. Jus Allah se revelou um bom companheiro de mic, embora pouquíssimas vezes consiga ofuscar o outro emcee. As letras, em certo momento, podem se tornar um pouco cansativas, mas é aí que entra um dos trunfos do álbum: as participações especiais.

Esse é talvez um dos primeiros álbuns a apostar em tantas participações, algo comum hoje em dia. Participam Mr. Lif, Esoteric, Chief Kamachi, Tragedy Khadafi e Sean Price, entre outros. Com tantos "visitantes" de qualidade, o álbum acaba fluindo de forma mais amigável.

Isso se deve também em grande parte aos beats maravilhosos providos por Stoupe. Não há um único beat ruim nesse álbum. Ao contrário, todos são muito bons. Fazendo uso de samples de filmes, orquestras e música latina, principalmente, o produtor cria uma textura de sons extremamente complexa e bem construída. É como se os beats, sozinhos, contassem uma história.

Os grandes destaques do álbum ficam por conta de "Sacrifice", talvez o melhor beat do álbum, com um sample do filme "FormiguinhaZ", que encaixou perfeitamente no tema. "Heavenly Divine" mostra Ikon e Jus Allah trocando versos sobre um sample perfeito de violinos. "Retaliation" e "Blood Runs Cold", esse último com a participação sempre certeira de Sean Price, também merecem destaque.

Violent By Design é, musicalmente, o auge do Jedi Mind Tricks. Stoupe é um dos melhores produtores no jogo, embora muitos ainda não lhe dêem o devido valor. Liricamente, Vinnie Paz faz um bom trabalho, embora os seus trabalhos mais recentes, como "Servants in Heaven, Kings in Hell", mostram o quanto o emcee tem evoluído, tanto em termos de técnica quanto na expansão dos temas abordados.